IA: por que 59% priorizam a tecnologia mas só 22% sabem usá-la

Comece pelo lado bom: segundo a pesquisa Sebrae/FGV-IBRE/Google sobre transformação digital dos pequenos negócios, 44% das pequenas empresas brasileiras já usam alguma solução de IA, e entre elas 51% já usam ferramentas de IA generativa — ChatGPT, Copilot, Gemini, DeepSeek.

Mais: 52% dos empresários brasileiros usaram IA nas últimas duas semanas, contra apenas 21% dos empresários americanos de porte parecido, no mesmo levantamento. Nesse recorte, o Brasil sai na frente dos Estados Unidos.

O paradoxo: prioridade alta, execução baixa

Mas aí mora o problema. Estudos setoriais recentes mostram que 59% dos empresários colocam a IA como prioridade estratégica para 2026 — só que apenas 22% usam a tecnologia de forma estruturada, com processo, metas e responsável definido. Os outros 72% seguem em estágio inicial ou experimental: testando ferramenta aqui, prompt ali, sem uma estratégia que amarre tudo.

Um sintoma direto desse hiato: 47,4% dos profissionais usam ferramentas de IA no trabalho sem aprovação oficial da empresa — o chamado “Shadow AI”. Sem estrutura, a empresa não sabe o que está funcionando, não mede retorno, e corre risco de segurança: dados e processos passando por ferramentas que ninguém validou.

O motivo: falta orçamento, não vontade

O investimento acompanha esse cenário. 77% das empresas ainda não alocam orçamento relevante para IA, e 43% investem menos de 2% do orçamento anual na tecnologia. O resultado é previsível: ferramentas genéricas testadas de forma isolada, sem integração com o restante da operação e sem ninguém responsável por medir se estão gerando retorno.

Os três sintomas de uma empresa presa na fase experimental

  • Ninguém é dono do assunto. Cada área testa uma ferramenta diferente, sem padrão nem comunicação entre times.
  • Não existe métrica de retorno. A empresa “usa IA”, mas ninguém sabe dizer quanto tempo ou dinheiro isso já economizou.
  • Dado sensível passa por ferramenta não validada. Shadow AI significa informação de cliente e de negócio em serviços fora do controle da empresa.

Como sair do estágio experimental

A frase que mais ouvimos de empresário não é “eu não acredito em IA” — é “eu não sei por onde começar, nem o que vale a pena automatizar primeiro”. Faz sentido: são dezenas de ferramentas genéricas no mercado, prometendo tudo, entregando pouco de específico para o seu negócio.

  1. Mapeie as tarefas repetitivas que mais consomem tempo do time — antes de escolher qualquer ferramenta.
  2. Defina um responsável pela iniciativa de IA, mesmo que seja uma frente pequena no começo.
  3. Comece por um piloto mensurável, com uma métrica clara de tempo ou custo economizado.
  4. Só depois escale para as demais áreas, com o aprendizado do piloto já validado.

“O gap entre intenção (59%) e execução estruturada (22%) não é um problema. É o espaço para sair na frente do concorrente que ainda testa prompt sozinho.”

Sua empresa está no grupo dos 22% — ou dos 72%? A SET faz um diagnóstico gratuito para identificar o que vale mais a pena automatizar primeiro no seu negócio.

Fontes